Médias
Na escola aprendi que havia (ao menos) duas médias possíveis. Aritmética e geométrica. Na faculdade, em estatística, aprendi que há outras médias. Na vida me ensinaram que medíocre é ruim, abaixo do desejável. Abaixo da média (??), talvez.
Mas, na escrita, na expressão, no trabalho, no pequeno mundo que cultivo nessa cabeça anciã, há a média das médias, uma normalidade que afasta o brilho ou o reconhecimento dos pares.
Há quem escreva bem. Realmente bem. Cada palavra derrete um coração na alma de quem lê. Há quem escreva bem, tão bem que pessoas compram os textos e adaptam, misturam, juntam, executam e vendem, fazendo mais dinheiro com isso. Há gente que escreve bem, tão maravilhosamente bem que as pessoas pagam para elas continuarem escrevendo. Ou para relembrar o que já foi escrito. Pagam pouco, normalmente, na média, insuficiente para a pessoa comer uma média de pão com manteiga, mas pagam (olhem só!).
Mas vejam só. Leio várias dessas pessoas todos os dias. Leio até gente que escreve mal (o e-mail e as redes sociais são o inferno de quem gosta da língua falada e escrita) e leio (pouco, pouquíssimo) gente que me comove. Elas existem, juro, mas está cada vez mais difícil encontrá-las.
“Então escreve tu, pessoa!”
Eu tento. Mas meu texto é medíocre, mediano. Não comove ou comoveu alguém. Não me pagam para lê-lo, não me pagam para adaptá-lo. Não pagam nem um café com leite na média. E tá tudo certo. Não cobro. Dou o que é meu sempre que não me faz mais falta. Meus textos, se puderem, que andem com suas próprias pernas.
Não vivo e nem viverei dos meus textos. Esses medíocres. Bons, mas medianos. Corretos. Não muito mais que isso.
E num mundo intenso e volumoso como o nosso, infinitas vezes maior que o planeta que cultivo na minha insanidade dopada, o que não brilha por esforço e talento só reflete a luz de quem tem dinheiro. A riqueza é quem alça a mediocridade para a visibilidade.

